o nada engole minhas palavras
recito versos para olhos inchados
e quando o nada volta,
ainda estou paralisado.
despeço-me das palavras
como faço com o resto de vida
que acaba toda meia-noite
e as horas que não voltam
me lembram que amanhã é tarde
e hoje os dias são números
que não quero contar pra ninguém.
despeço-me de quem não vê
e não ouve, não por não ouvir
mas por escutar pequenezas
de outras estações.
despeço-me dos abraços
que ninguém me deu,
e que eu, por segundos,
cogitei abrir o guarda-roupas
para tirá-los de lá.
despeço-me dos beijos
que rasgaram minhas palavras
e se esconderam onde minha
voz jamais poderá alcançar.
Onde estava eu?
Onde estava eu quando tudo ruía?
Onde estivera eu quando o sol,
o tsunami, o furacão e o arrebol
faziam tudo aparecer, e emergia?
Onde estava eu quando a dor,
o fracasso, a infelicidade, a tristeza,
o desafeto, a saudade, a estranheza,
substituíram o carinho e o amor?
Onde estava eu? Onde eu estava?
Onde? O que me aconteceu?
Dói não lembrar, dói e doeu,
pois amanhã, na tormenta brava
lembrarei que era sempre eu...
eu quem nunca me resgatava.
Onde estivera eu quando o sol,
o tsunami, o furacão e o arrebol
faziam tudo aparecer, e emergia?
Onde estava eu quando a dor,
o fracasso, a infelicidade, a tristeza,
o desafeto, a saudade, a estranheza,
substituíram o carinho e o amor?
Onde estava eu? Onde eu estava?
Onde? O que me aconteceu?
Dói não lembrar, dói e doeu,
pois amanhã, na tormenta brava
lembrarei que era sempre eu...
eu quem nunca me resgatava.
ab ovo
Deixe-me Cioran, Deixe-me Nietzsche;
Esse Deus morto, viveu algum dia?
Esse Deus (i)moral ainda porfia?
Não me falem de Deus, não o quero!
Odeio ter que engolir pelos ouvidos
cada torto gemido desses falidos
seres que o adoram, enquanto desvenero.
Não falem de Deus, nem de nada!
Não sou ateu, até pra isso preciso ser...
Ser a negação, o verbo inicial contra tudo
Ser o primeiro tijolo contra a estrada
que não leva ao início fundamental do ter
em si qualquer coisa... contra um escudo!
Esse Deus morto, viveu algum dia?
Esse Deus (i)moral ainda porfia?
Ou é como cada coisa que não existe?
Não me falem de Deus, não o quero!
Odeio ter que engolir pelos ouvidos
cada torto gemido desses falidos
seres que o adoram, enquanto desvenero.
Não falem de Deus, nem de nada!
Não sou ateu, até pra isso preciso ser...
Ser a negação, o verbo inicial contra tudo
Ser o primeiro tijolo contra a estrada
que não leva ao início fundamental do ter
em si qualquer coisa... contra um escudo!
Estrela de Nêutrons
Eu que te beijei tantas vezes,
que te abracei e ouvi tuas juras
com os lábios em meus ouvidos.
Eu que vivi tua pele, teus cabelos,
suas mãos e suas lembranças táteis,
incorporando gestos e toques.
Eu que fui teu colchão,
teu pelo e teu travesseiro,
fui teu abraço de outono.
Eu que fui tua cicatriz, tua…
tatuagem, tua maquiagem…
suas noites tantas vezes…
Hoje sou a exclusão de Pauli,
e somos o toque, a fusão,
enquanto renascemos, juntos,
em uma estrela de nêutrons.
que te abracei e ouvi tuas juras
com os lábios em meus ouvidos.
Eu que vivi tua pele, teus cabelos,
suas mãos e suas lembranças táteis,
incorporando gestos e toques.
Eu que fui teu colchão,
teu pelo e teu travesseiro,
fui teu abraço de outono.
Eu que fui tua cicatriz, tua…
tatuagem, tua maquiagem…
suas noites tantas vezes…
Hoje sou a exclusão de Pauli,
e somos o toque, a fusão,
enquanto renascemos, juntos,
em uma estrela de nêutrons.
A vida
Deveis rasgar as entranhas do terrorismo,
fazer brilhar as mordaças, as dores, os males,
abrir as covas da pobreza que assola os ares
de cujas escrituras tem a firma do imperialismo.
Viveis sob as tórridas tempestades do capital,
onde cada dia é morte, e cada morte é esquecimento,
e tudo é mercadoria, todo corpo, toda fé, todo alimento...
tudo até a alma que vaga enterrada no quintal.
A vida, porém, merece outro véu, outro horizonte.
Viver merece tempo, conforto, pão e ternura...
Viver merece igualdade na forma e na largura
para que todo alimento seja um forte e uma ponte
entre o bem-viver e viver bem na candura
do tempo que não é exploração, é ruptura.
fazer brilhar as mordaças, as dores, os males,
abrir as covas da pobreza que assola os ares
de cujas escrituras tem a firma do imperialismo.
Viveis sob as tórridas tempestades do capital,
onde cada dia é morte, e cada morte é esquecimento,
e tudo é mercadoria, todo corpo, toda fé, todo alimento...
tudo até a alma que vaga enterrada no quintal.
A vida, porém, merece outro véu, outro horizonte.
Viver merece tempo, conforto, pão e ternura...
Viver merece igualdade na forma e na largura
para que todo alimento seja um forte e uma ponte
entre o bem-viver e viver bem na candura
do tempo que não é exploração, é ruptura.
Estou lá
estou lá!
Lá onde tudo é meio e fim; onde nada é finito e caído;
estou lá!
Lá onde o tempo é tempestade, carrossel e cordel;
estou lá!
Onde ninguém é, ninguém está, ninguém somos!
estou lá!
Onde o ontem amanhece amanhã.
estou lá!
Onde a memória não (…)
Lá onde tudo é meio e fim; onde nada é finito e caído;
estou lá!
Lá onde o tempo é tempestade, carrossel e cordel;
estou lá!
Onde ninguém é, ninguém está, ninguém somos!
estou lá!
Onde o ontem amanhece amanhã.
estou lá!
Onde a memória não (…)
Antipoética
A poesia é meu laboratório,
embaralho palavras, letras,
textos, contextos, subtextos,
reflexos, sentimentos, portentos,
dores, amores, razões, reflexões...
Poesia é laboratório...
a ideia vira veia de dizeres
pulsando fora do pulso!
Poesia é laboratório
da não-razão, do não-estar,
do não-dar, do não-afirmar,
do não-ligar, do não-acalmar.
Da não-poesia.
Poesia é rompimento,
destruição,
implosão e explosão
temperando a vida
com cheiro de nada
e de tudo que as flores
do bem-querer nos dá.
embaralho palavras, letras,
textos, contextos, subtextos,
reflexos, sentimentos, portentos,
dores, amores, razões, reflexões...
Poesia é laboratório...
a ideia vira veia de dizeres
pulsando fora do pulso!
Poesia é laboratório
da não-razão, do não-estar,
do não-dar, do não-afirmar,
do não-ligar, do não-acalmar.
Da não-poesia.
Poesia é rompimento,
destruição,
implosão e explosão
temperando a vida
com cheiro de nada
e de tudo que as flores
do bem-querer nos dá.
Não posso parar!
Tratei da profundidade do núcleo,
das atividades dos mares,
da profundidade das coisas maiúsculas...
mas não paro e rejeito.
Meu peito,
esse pedaço de coisa
que bate e afunda em terremotos,
não se deixa preencher...
Devia viver,
absorver as montanhas que estão
pintadas na tela da janela
do banheiro...
Comer do céu azul
que arranha o espaço
e descola a realidade,
enquanto a saudade
preenche
o tempo que não tenho
de tudo que não paro.
das atividades dos mares,
da profundidade das coisas maiúsculas...
mas não paro e rejeito.
Meu peito,
esse pedaço de coisa
que bate e afunda em terremotos,
não se deixa preencher...
Devia viver,
absorver as montanhas que estão
pintadas na tela da janela
do banheiro...
Comer do céu azul
que arranha o espaço
e descola a realidade,
enquanto a saudade
preenche
o tempo que não tenho
de tudo que não paro.
Amor
Resgatei todos os invernos
do meu íntimo, todas as
condescendências, todas
as loucuras. Resgatei a
vida e a anti-vida, a
luxúria e a verdade
absolutíssima. Sonhos,
e torrentes de imaginação.
Rasguei todas as palavras,
abri seus órgãos e vísceras
olhei profundamente em cada
parte da língua, do tom,
da entonação... tudo isso
para encontrar, escrito
com sangue puro, o amor
que me rasga e te veste.
do meu íntimo, todas as
condescendências, todas
as loucuras. Resgatei a
vida e a anti-vida, a
luxúria e a verdade
absolutíssima. Sonhos,
e torrentes de imaginação.
Rasguei todas as palavras,
abri seus órgãos e vísceras
olhei profundamente em cada
parte da língua, do tom,
da entonação... tudo isso
para encontrar, escrito
com sangue puro, o amor
que me rasga e te veste.
CAPITALISMO
Eu te odeio, e odeio, e odeio!
Eu te odeio, e odeio e tanto
que esse meu ódio é acalanto
ao amor radical que semeio.
E te odeio, com muita razão,
porque te odiar é o fim...
porque te odiar é jardim
de flores da justa revolução.
Eu te odeio, e odeio, enfim...
Eu te odeio, porque o ódio
é tudo que basta em mim.
Eu te odeio, porque é o ódio
a única arte, a única perfeição,
que radicaliza meu lasso coração.
Paz & Liberdade
Não há paz,
nem liberdade...
em qualquer mundo
em que meus irmãos
dependam de caridade
para não morrer de
FOME
e ter direito a moradia,
trabalho e alimentação.
Não há paz,
nem liberdade...
em qualquer mundo
em que todos nós
não sejamos donos de tudo,
e tudo não seja nosso
e para nós.
Não há paz,
nem liberdade...
em qualquer mundo
cujo valor principal
não seja a emancipação
de todos e cada um
todo dia, e até sempre.
Não há paz,
nem liberdade...
em qualquer mundo
que trata nossa existência
todo santo dia
como mercadoria.
Não há paz,
nem liberdade...
em qualquer mundo
cujo princípio essencial
seja a exploração
do homem pelo homem
até final.
União
Ah! angústia e tédio e medo,
Até ontem quem éramos?
Até ontem quem fomos?
Por que guardamos segredo?
Fugia do céu, do inferno
da ambição e da desgraça...
Dir-te-ei: apenas disfarça...
Disfarça esse teu terno.
Qual o porquê? Ninguém via!
Ninguém ouvia a lamentação,
nem o rogo. Ninguém sabia
dessa refletida sofreguidão
de viver a dormente e tardia
vontade de igualdade e união.
Poluição
Desconcertei-me ilhado em mim.
Sinto restos, dejetos e desejos,
falhas e fragmentos, como azulejos
caídos do teto do meu jardim.
Coberto de desvario e completo.
Incompleto. Incompleto de dor...
Incompleto das poeiras do rancor!
Incompleto, e dos sentidos repleto.
Cego e com os olhos em dimensão.
Cego de tudo! Cego de atrocidade;
Do cheiro que reluz a iluminação
no ralo da escuridão de puridade,
onde busco amor em cada novidade,
e só encontro vasta e tenra poluição.
Eu te amo
Eu te amo, e amo, e amo!
Eu te amo, e amo e tanto
que meu amor é acalanto
ao mesmo amor que inflamo.
E te amo, com muita razão,
porque te amar é o fim...
porque te amarei no jardim
de flores da minha paixão.
Eu te amo, e amo, enfim...
Eu te amo, porque o amor
é tudo que basta em mim.
Eu te amo, porque é o amor
a única arte, a única beleza
que inflama minha certeza.
Eu te amo, e amo e tanto
que meu amor é acalanto
ao mesmo amor que inflamo.
E te amo, com muita razão,
porque te amar é o fim...
porque te amarei no jardim
de flores da minha paixão.
Eu te amo, e amo, enfim...
Eu te amo, porque o amor
é tudo que basta em mim.
Eu te amo, porque é o amor
a única arte, a única beleza
que inflama minha certeza.
O Buquê
Esse buquê que lhe ofereço
É um buquê de sentimentos,
Com pétalas de contentamentos,
Colhidas do mais alto apreço.
Nele há pétalas de paixão,
Amor, carinho e cumplicidade!
É um buquê de saudade
Das muitas alegrias que virão.
É, acima de tudo, buquê-gratidão.
Alma d’um bem-querer sem fim,
D’uns beijos de comunhão,
Que fazem de ti mais de mim,
E de cada pétala a concretização
De que nosso buquê é um jardim.
É um buquê de sentimentos,
Com pétalas de contentamentos,
Colhidas do mais alto apreço.
Nele há pétalas de paixão,
Amor, carinho e cumplicidade!
É um buquê de saudade
Das muitas alegrias que virão.
É, acima de tudo, buquê-gratidão.
Alma d’um bem-querer sem fim,
D’uns beijos de comunhão,
Que fazem de ti mais de mim,
E de cada pétala a concretização
De que nosso buquê é um jardim.
Dias estranhos
Dias estranhos, pesadelos infindos.
As ruas encobertas em sombras,
as noites chovendo dores perpétuas,
tudo perdido e mal-acabado.
Ontem morreram os que já morriam.
Ninguém nasceu de si mesmo,
e a esperança decaiu sob a voz
daqueles que amaldiçoaram os dias.
As pessoas que velaram a tristeza
esqueceram as peças dos calendários
e teimavam em renovar o irrenovável.
Ontem tudo morreu, e hoje a morte
festeja a dor de quem não vive
de quem não tem direito de viver.
As ruas encobertas em sombras,
as noites chovendo dores perpétuas,
tudo perdido e mal-acabado.
Ontem morreram os que já morriam.
Ninguém nasceu de si mesmo,
e a esperança decaiu sob a voz
daqueles que amaldiçoaram os dias.
As pessoas que velaram a tristeza
esqueceram as peças dos calendários
e teimavam em renovar o irrenovável.
Ontem tudo morreu, e hoje a morte
festeja a dor de quem não vive
de quem não tem direito de viver.
Dançando no desfile
Ela dançava, sem vergonha,
num dia belo de tarde triste,
e com sorriso bom e a riste,
só dançava
sem som,
risonha.
Não era de se impressionar,
naquele dia belo e normal
que o som soasse frugal
e balançasse
a alma
a despertar.
Ela dançava, e dançava [apesar
só queria envolver-se poluta
no mar de imagem irresoluta
de dimensão cósmico-irregular
de tudo que não era dança
de tudo que era lembrança;
Soneto do Amor Infindo
Amo-te tanto, e tanto e tanto
Que sinto e muito sem dizer.
E digo, quedado em pranto,
Que amo, amor, com prazer.
Porque amar-te é guerra,
que travo cedo e tão logo
em abrolhos da minha terra,
na quimera que é teu jogo!
Amo-te tanto e intensamente,
Que chega a doer-me a mente;
de pensar além do benfazejo;
Pois é tudo quando amo presente,
e tudo quanto quero um desejo...
de amar-te hoje eternamente!
E digo, quedado em pranto,
Que amo, amor, com prazer.
Porque amar-te é guerra,
que travo cedo e tão logo
em abrolhos da minha terra,
na quimera que é teu jogo!
Amo-te tanto e intensamente,
Que chega a doer-me a mente;
de pensar além do benfazejo;
Pois é tudo quando amo presente,
e tudo quanto quero um desejo...
de amar-te hoje eternamente!
Fevereiro18
Anos atrás, num dia de verão,
despontava uma mensagem
de curta e tenra abordagem,
sobre a vida, amor e solidão.
Texto curto do dia-a-dia sensível,
de momentos e horas agradáveis,
prazeres infinitivos e saudáveis
além de desejos de vida aprazível.
Palavras de vida e eternidade,
que não sucumbem a prazo,
nem esmorecem a saudade,
palavras que fluem no acaso
e felicitam toda nova felicidade
de ser amado sem atraso!
despontava uma mensagem
de curta e tenra abordagem,
sobre a vida, amor e solidão.
Texto curto do dia-a-dia sensível,
de momentos e horas agradáveis,
prazeres infinitivos e saudáveis
além de desejos de vida aprazível.
Palavras de vida e eternidade,
que não sucumbem a prazo,
nem esmorecem a saudade,
palavras que fluem no acaso
e felicitam toda nova felicidade
de ser amado sem atraso!
Soneto para um herói
É integro, austero, feliz
seguro, vaidoso, prudente
amoroso, herói, sorridente
sério, professor e aprendiz.
É educado, leal, transigente
corajoso, elegante, solidário
otimista, hábil, visionário
cômico, gentil e eficiente.
É bom, generoso, paritário,
jovem, aventureiro, sonhador
forte, altruísta, gregário
É símbolo, ídolo, amor,
verdadeiro, sábio, hilário
e é meu pai, meu criador.
seguro, vaidoso, prudente
amoroso, herói, sorridente
sério, professor e aprendiz.
É educado, leal, transigente
corajoso, elegante, solidário
otimista, hábil, visionário
cômico, gentil e eficiente.
É bom, generoso, paritário,
jovem, aventureiro, sonhador
forte, altruísta, gregário
É símbolo, ídolo, amor,
verdadeiro, sábio, hilário
e é meu pai, meu criador.
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