Ah! amor que é fogo e ardente inverno.
Quão decepcionados estão os astrólogos,
que somam estrelas e criam prólogos
sobre a chama viva d'um eterno inferno.
Inferno? Senão, o quê? Poesia? calmaria?
Ah! amor que é cabresto e devassidão.
Que laça, corrompe e rompe a terna ilusão
de candura, fortuna, pecado e heresia.
Ah! inferno de amor que tudo incendia!
É amor que queima? É amor que apaga?
É amor o amor que mata enquanto afaga?
É amor que transcende e nunca titubeia?
É amor? É fogo? É chama? É dor e adaga?
É amor! É tudo que há e tudo que permeia.
FLOGOSE IDÍLICA
Dor
A dor de amor mais me cansa;
penso, vagueio, choro, adormeço,
Não vivo um dia, nem padeço,
enquanto a vida dói e me amansa.
Ontem estive triste e hoje também,
Amanhã não sei se será tempestade
Ou inverno, ou brisa ou amenidade;
Não sei se será todo mal ou tudo bem!
Amanhã não chega, nem a escuridão;
sinto o amor partir-me e repartir
cada lasca do meu puído coração,
e, em vão, choro e durmo no ruir.
Entre letras tristes e triste consolação,
amanhã não chega, nem hei de permitir;
e o mal que me causa essa consternação
será o mal que fará me redescobrir.
Prometo
Prometo-te, todos os dias, fazer AMOR!
Escolher-te nas noites mais escuras,
nas tormentas mais doridas e impuras.
Escolher-te no frio do inverno ou no calor!
Prometo-te fazer AMOR e aprender amar,
escolher-te para a vida real e barulhenta,
na calmaria do rio e na madrugada sedenta,
Namorando cada detalhe que te faz pulsar.
Prometo-te, que amanhã, vou te encontrar
e faremos AMOR, amor namorando,
tocando, beijando, vivendo, flertando...
Prometo-te que farei o AMOR te achar,
enquanto vou te amando e te cuidando,
e vou fazendo esse AMOR se provar!
Escolher-te nas noites mais escuras,
nas tormentas mais doridas e impuras.
Escolher-te no frio do inverno ou no calor!
Prometo-te fazer AMOR e aprender amar,
escolher-te para a vida real e barulhenta,
na calmaria do rio e na madrugada sedenta,
Namorando cada detalhe que te faz pulsar.
Prometo-te, que amanhã, vou te encontrar
e faremos AMOR, amor namorando,
tocando, beijando, vivendo, flertando...
Prometo-te que farei o AMOR te achar,
enquanto vou te amando e te cuidando,
e vou fazendo esse AMOR se provar!
Entre duas noites
Entre duas noites cabe um mundo,
[desejos infindos, juras intermináveis,
de, em múltiplas vezes incontáveis,
fogo, entre o primeiro céu e o segundo.
Entre duas noites um mundo se destrói
em novos mundos e antigas temeridades,
em poucas palavras e muitas saudades
em silêncio que, do pó, se reconstrói.
Entre duas noites, duas noites se vão!
Corroídas pela chama densa e pujante
que queima e derrete até a sensação
[desejos infindos, juras intermináveis,
de, em múltiplas vezes incontáveis,
fogo, entre o primeiro céu e o segundo.
Entre duas noites um mundo se destrói
em novos mundos e antigas temeridades,
em poucas palavras e muitas saudades
em silêncio que, do pó, se reconstrói.
Entre duas noites, duas noites se vão!
Corroídas pela chama densa e pujante
que queima e derrete até a sensação
de fatalidade e de dormência exorbitante
que é parte e todo, é fim, início, fusão...
que é fim do fim, e início inconstante.
que é parte e todo, é fim, início, fusão...
que é fim do fim, e início inconstante.
Quando
Quando a tempestade passar
e sobrar apenas a calmaria,
dias cheios e noites estranhas;
quando o ruído der lugar à música,
sobre as lembranças dos muitos ontens,
e ninguém mais perguntar;
quando tudo estiver feito
e o desfeito for parte da reconstrução,
quero ter guardado cada pedaço
das pequenas coisas
que doem por não existirem
no dia a dia.
e sobrar apenas a calmaria,
dias cheios e noites estranhas;
quando o ruído der lugar à música,
sobre as lembranças dos muitos ontens,
e ninguém mais perguntar;
quando tudo estiver feito
e o desfeito for parte da reconstrução,
quero ter guardado cada pedaço
das pequenas coisas
que doem por não existirem
no dia a dia.
Despeço-me
o nada engole minhas palavras
recito versos para olhos inchados
e quando o nada volta,
ainda estou paralisado.
despeço-me das palavras
como faço com o resto de vida
que acaba toda meia-noite
e as horas que não voltam
me lembram que amanhã é tarde
e hoje os dias são números
que não quero contar pra ninguém.
despeço-me de quem não vê
e não ouve, não por não ouvir
mas por escutar pequenezas
de outras estações.
despeço-me dos abraços
que ninguém me deu,
e que eu, por segundos,
cogitei abrir o guarda-roupas
para tirá-los de lá.
despeço-me dos beijos
que rasgaram minhas palavras
e se esconderam onde minha
voz jamais poderá alcançar.
recito versos para olhos inchados
e quando o nada volta,
ainda estou paralisado.
despeço-me das palavras
como faço com o resto de vida
que acaba toda meia-noite
e as horas que não voltam
me lembram que amanhã é tarde
e hoje os dias são números
que não quero contar pra ninguém.
despeço-me de quem não vê
e não ouve, não por não ouvir
mas por escutar pequenezas
de outras estações.
despeço-me dos abraços
que ninguém me deu,
e que eu, por segundos,
cogitei abrir o guarda-roupas
para tirá-los de lá.
despeço-me dos beijos
que rasgaram minhas palavras
e se esconderam onde minha
voz jamais poderá alcançar.
Onde estava eu?
Onde estava eu quando tudo ruía?
Onde estivera eu quando o sol,
o tsunami, o furacão e o arrebol
faziam tudo aparecer, e emergia?
Onde estava eu quando a dor,
o fracasso, a infelicidade, a tristeza,
o desafeto, a saudade, a estranheza,
substituíram o carinho e o amor?
Onde estava eu? Onde eu estava?
Onde? O que me aconteceu?
Dói não lembrar, dói e doeu,
pois amanhã, na tormenta brava
lembrarei que era sempre eu...
eu quem nunca me resgatava.
Onde estivera eu quando o sol,
o tsunami, o furacão e o arrebol
faziam tudo aparecer, e emergia?
Onde estava eu quando a dor,
o fracasso, a infelicidade, a tristeza,
o desafeto, a saudade, a estranheza,
substituíram o carinho e o amor?
Onde estava eu? Onde eu estava?
Onde? O que me aconteceu?
Dói não lembrar, dói e doeu,
pois amanhã, na tormenta brava
lembrarei que era sempre eu...
eu quem nunca me resgatava.
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