A vida
Deveis rasgar as entranhas do terrorismo, fazer brilhar as mordaças, as dores, os males, abrir as covas da pobreza que assola os ares de cujas escrituras tem a firma do imperialismo. Viveis sob as tórridas tempestades do capital, onde cada dia é morte, e cada morte é esquecimento, e tudo é mercadoria, todo corpo, toda fé, todo alimento... tudo até a alma que vaga enterrada no quintal. A vida, porém, merece outro véu, outro horizonte. Viver merece tempo, conforto, pão e ternura... Viver merece igualdade na forma e na largura para que todo alimento seja um forte e uma ponte entre o bem-viver e viver bem na candura do tempo que não é exploração, é ruptura.