Eu que te beijei tantas vezes,
que te abracei e ouvi tuas juras
com os lábios em meus ouvidos.
Eu que vivi tua pele, teus cabelos,
suas mãos e suas lembranças táteis,
incorporando gestos e toques.
Eu que fui teu colchão,
teu pelo e teu travesseiro,
fui teu abraço de outono.
Eu que fui tua cicatriz, tua…
tatuagem, tua maquiagem…
suas noites tantas vezes…
Hoje sou a exclusão de Pauli,
e somos o toque, a fusão,
enquanto renascemos, juntos,
em uma estrela de nêutrons.
FLOGOSE IDÍLICA
A vida
Deveis rasgar as entranhas do terrorismo,
fazer brilhar as mordaças, as dores, os males,
abrir as covas da pobreza que assola os ares
de cujas escrituras tem a firma do imperialismo.
Viveis sob as tórridas tempestades do capital,
onde cada dia é morte, e cada morte é esquecimento,
e tudo é mercadoria, todo corpo, toda fé, todo alimento...
tudo até a alma que vaga enterrada no quintal.
A vida, porém, merece outro véu, outro horizonte.
Viver merece tempo, conforto, pão e ternura...
Viver merece igualdade na forma e na largura
para que todo alimento seja um forte e uma ponte
entre o bem-viver e viver bem na candura
do tempo que não é exploração, é ruptura.
fazer brilhar as mordaças, as dores, os males,
abrir as covas da pobreza que assola os ares
de cujas escrituras tem a firma do imperialismo.
Viveis sob as tórridas tempestades do capital,
onde cada dia é morte, e cada morte é esquecimento,
e tudo é mercadoria, todo corpo, toda fé, todo alimento...
tudo até a alma que vaga enterrada no quintal.
A vida, porém, merece outro véu, outro horizonte.
Viver merece tempo, conforto, pão e ternura...
Viver merece igualdade na forma e na largura
para que todo alimento seja um forte e uma ponte
entre o bem-viver e viver bem na candura
do tempo que não é exploração, é ruptura.
Estou lá
estou lá!
Lá onde tudo é meio e fim; onde nada é finito e caído;
estou lá!
Lá onde o tempo é tempestade, carrossel e cordel;
estou lá!
Onde ninguém é, ninguém está, ninguém somos!
estou lá!
Onde o ontem amanhece amanhã.
estou lá!
Onde a memória não (…)
Lá onde tudo é meio e fim; onde nada é finito e caído;
estou lá!
Lá onde o tempo é tempestade, carrossel e cordel;
estou lá!
Onde ninguém é, ninguém está, ninguém somos!
estou lá!
Onde o ontem amanhece amanhã.
estou lá!
Onde a memória não (…)
Antipoética
A poesia é meu laboratório,
embaralho palavras, letras,
textos, contextos, subtextos,
reflexos, sentimentos, portentos,
dores, amores, razões, reflexões...
Poesia é laboratório...
a ideia vira veia de dizeres
pulsando fora do pulso!
Poesia é laboratório
da não-razão, do não-estar,
do não-dar, do não-afirmar,
do não-ligar, do não-acalmar.
Da não-poesia.
Poesia é rompimento,
destruição,
implosão e explosão
temperando a vida
com cheiro de nada
e de tudo que as flores
do bem-querer nos dá.
embaralho palavras, letras,
textos, contextos, subtextos,
reflexos, sentimentos, portentos,
dores, amores, razões, reflexões...
Poesia é laboratório...
a ideia vira veia de dizeres
pulsando fora do pulso!
Poesia é laboratório
da não-razão, do não-estar,
do não-dar, do não-afirmar,
do não-ligar, do não-acalmar.
Da não-poesia.
Poesia é rompimento,
destruição,
implosão e explosão
temperando a vida
com cheiro de nada
e de tudo que as flores
do bem-querer nos dá.
Não posso parar!
Tratei da profundidade do núcleo,
das atividades dos mares,
da profundidade das coisas maiúsculas...
mas não paro e rejeito.
Meu peito,
esse pedaço de coisa
que bate e afunda em terremotos,
não se deixa preencher...
Devia viver,
absorver as montanhas que estão
pintadas na tela da janela
do banheiro...
Comer do céu azul
que arranha o espaço
e descola a realidade,
enquanto a saudade
preenche
o tempo que não tenho
de tudo que não paro.
das atividades dos mares,
da profundidade das coisas maiúsculas...
mas não paro e rejeito.
Meu peito,
esse pedaço de coisa
que bate e afunda em terremotos,
não se deixa preencher...
Devia viver,
absorver as montanhas que estão
pintadas na tela da janela
do banheiro...
Comer do céu azul
que arranha o espaço
e descola a realidade,
enquanto a saudade
preenche
o tempo que não tenho
de tudo que não paro.
Amor
Resgatei todos os invernos
do meu íntimo, todas as
condescendências, todas
as loucuras. Resgatei a
vida e a anti-vida, a
luxúria e a verdade
absolutíssima. Sonhos,
e torrentes de imaginação.
Rasguei todas as palavras,
abri seus órgãos e vísceras
olhei profundamente em cada
parte da língua, do tom,
da entonação... tudo isso
para encontrar, escrito
com sangue puro, o amor
que me rasga e te veste.
do meu íntimo, todas as
condescendências, todas
as loucuras. Resgatei a
vida e a anti-vida, a
luxúria e a verdade
absolutíssima. Sonhos,
e torrentes de imaginação.
Rasguei todas as palavras,
abri seus órgãos e vísceras
olhei profundamente em cada
parte da língua, do tom,
da entonação... tudo isso
para encontrar, escrito
com sangue puro, o amor
que me rasga e te veste.
CAPITALISMO
Eu te odeio, e odeio, e odeio!
Eu te odeio, e odeio e tanto
que esse meu ódio é acalanto
ao amor radical que semeio.
E te odeio, com muita razão,
porque te odiar é o fim...
porque te odiar é jardim
de flores da justa revolução.
Eu te odeio, e odeio, enfim...
Eu te odeio, porque o ódio
é tudo que basta em mim.
Eu te odeio, porque é o ódio
a única arte, a única perfeição,
que radicaliza meu lasso coração.
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