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A vida

Deveis rasgar as entranhas do terrorismo, fazer brilhar as mordaças, as dores, os males, abrir as covas da pobreza que assola os ares de cujas escrituras tem a firma do imperialismo. Viveis sob as tórridas tempestades do capital, onde cada dia é morte, e cada morte é esquecimento, e tudo é mercadoria, todo corpo, toda fé, todo alimento... tudo até a alma que vaga enterrada no quintal. A vida, porém, merece outro véu, outro horizonte. Viver merece tempo, conforto, pão e ternura... Viver merece igualdade na forma e na largura para que todo alimento seja um forte e uma ponte entre o bem-viver e viver bem na candura do tempo que não é exploração, é ruptura.

Estou lá

estou lá! Lá onde tudo é meio e fim; onde nada é finito e caído; estou lá! Lá onde o tempo é tempestade, carrossel e cordel; estou lá! Onde ninguém é, ninguém está, ninguém somos! estou lá! Onde o ontem amanhece amanhã. estou lá! Onde a memória não (…)

Antipoética

A poesia é meu laboratório, embaralho palavras, letras, textos, contextos, subtextos, reflexos, sentimentos, portentos, dores, amores, razões, reflexões... Poesia é laboratório... a ideia vira veia de dizeres pulsando fora do pulso! Poesia é laboratório da não-razão, do não-estar, do não-dar, do não-afirmar, do não-ligar, do não-acalmar. Da não-poesia. Poesia é rompimento, destruição, implosão e explosão temperando a vida com cheiro de nada e de tudo que as flores do bem-querer nos dá.

Não posso parar!

Tratei da profundidade do núcleo, das atividades dos mares, da profundidade das coisas maiúsculas... mas não paro e rejeito. Meu peito, esse pedaço de coisa que bate e afunda em terremotos, não se deixa preencher... Devia viver, absorver as montanhas que estão pintadas na tela da janela do banheiro... Comer do céu azul que arranha o espaço e descola a realidade, enquanto a saudade preenche o tempo que não tenho de tudo que não paro.

Amor

Resgatei todos os invernos do meu íntimo, todas as condescendências, todas as loucuras. Resgatei a vida e a anti-vida, a luxúria e a verdade absolutíssima. Sonhos, e torrentes de imaginação. Rasguei todas as palavras, abri seus órgãos e vísceras olhei profundamente em cada parte da língua, do tom, da entonação... tudo isso para encontrar, escrito com sangue puro, o amor que me rasga e te veste.

CAPITALISMO

Eu te odeio, e odeio, e odeio! Eu te odeio, e odeio e tanto que esse meu ódio é acalanto ao amor radical que semeio. E te odeio, com muita razão, porque te odiar é o fim... porque te odiar é jardim de flores da justa revolução. Eu te odeio, e odeio, enfim... Eu te odeio, porque o ódio é tudo que basta em mim. Eu te odeio, porque é o ódio a única arte, a única perfeição, que radicaliza meu lasso coração.

Paz & Liberdade

Não há paz, nem liberdade... em qualquer mundo em que meus irmãos dependam de caridade para não morrer de FOME e ter direito a moradia, trabalho e alimentação. Não há paz, nem liberdade... em qualquer mundo em que todos nós não sejamos donos de tudo, e tudo não seja nosso e para nós. Não há paz, nem liberdade... em qualquer mundo cujo valor principal não seja a emancipação de todos e cada um todo dia, e até sempre. Não há paz, nem liberdade... em qualquer mundo que trata nossa existência todo santo dia como mercadoria. Não há paz, nem liberdade... em qualquer mundo cujo princípio essencial seja a exploração do homem pelo homem até final.