A dor de amor mais me cansa;
penso, vagueio, choro, adormeço,
Não vivo um dia, nem padeço,
enquanto a vida dói e me amansa.
Ontem estive triste e hoje também,
Amanhã não sei se será tempestade
Ou inverno, ou brisa ou amenidade;
Não sei se será todo mal ou tudo bem!
Amanhã não chega, nem a escuridão;
sinto o amor partir-me e repartir
cada lasca do meu puído coração,
e, em vão, choro e durmo no ruir.
Entre letras tristes e triste consolação,
amanhã não chega, nem hei de permitir;
e o mal que me causa essa consternação
será o mal que fará me redescobrir.
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