Ah! amor que é fogo e ardente inverno.
Quão decepcionados estão os astrólogos,
que somam estrelas e criam prólogos
sobre a chama viva d'um eterno inferno.
Inferno? Senão, o quê? Poesia? calmaria?
Ah! amor que é cabresto e devassidão.
Que laça, corrompe e rompe a terna ilusão
de candura, fortuna, pecado e heresia.
Ah! inferno de amor que tudo incendia!
É amor que queima? É amor que apaga?
É amor o amor que mata enquanto afaga?
É amor que transcende e nunca titubeia?
É amor? É fogo? É chama? É dor e adaga?
É amor! É tudo que há e tudo que permeia.
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