É integro, austero, feliz
seguro, vaidoso, prudente
amoroso, herói, sorridente
sério, professor e aprendiz.
É educado, leal, transigente
corajoso, elegante, solidário
otimista, hábil, visionário
cômico, gentil e eficiente.
É bom, generoso, paritário,
jovem, aventureiro, sonhador
forte, altruísta, gregário
É símbolo, ídolo, amor,
verdadeiro, sábio, hilário
e é meu pai, meu criador.
Decomposição
Quis, quando ainda perdido,
encontrar
o que em mim não perdido estava,
mas desencontrado desmanchava,
perecendo o que havia de acabar.
Um tanto fracionado e desconcebido,
era tanto mais estéril e desmembrado
que nada desconcertava concentrado,
desaparecendo o que havia perdido.
Quanto mais revolvia, mais danificava,
mais concebia, mais notava purificação
mais perecia, mais perdia, mais fatiava,
e mais, e mais, e mais... decomposição.
Perdendo tudo, e tudo já se extraviava,
pois não há que se perder a perdição.
Mundo de Possibilidades
Sob a escuridão fulgente
que o imo dorido sustenta
[e a imagem pueril afugenta
a vida se esvai (docemente).
Tudo quanto pode é decadente,
e o mundo de possibilidades
é estéril. É dor. Fatalidades
que mais adoecem o doente.
Eis a enfadonha adversidade
que é viver em dois santuários,
[além da tormentosa realidade...
onde o gozo da possibilidade
é contido pelos mortuários...
dos sonhos antirefratários.
que o imo dorido sustenta
[e a imagem pueril afugenta
a vida se esvai (docemente).
Tudo quanto pode é decadente,
e o mundo de possibilidades
é estéril. É dor. Fatalidades
que mais adoecem o doente.
Eis a enfadonha adversidade
que é viver em dois santuários,
[além da tormentosa realidade...
onde o gozo da possibilidade
é contido pelos mortuários...
dos sonhos antirefratários.
Joie de vivre
Espalha-se pela relva o odor,
a opulência, a inanimação
do que jamais fez-se ação,
no relativismo vil e incolor.
Há-de se falar em gustação,
da servil juventude decaída,
cuja morte é serva da vida,
e a vida é retalho-extinção!
Gustação que não há, Adão!
É tudo perversão indevida,
castigo ao bondoso-coração,
pretérito verbo sem saída,
para além da mera negação
do “não-deve” viver a vida!
Deus
Eu que já estive em mundos
perdidos e desencontrados
deste universo de moribundos
me pergunto: cadê os recados?
Não os vi, mas deveria.
Ah! se deveria. Muito.
Além de qualquer letargia,
sem promessa ou intuito.
Deveria ser um sinal,
nada que pudesse subestimar.
Um sinal. Um oi. Banal.
Demonstração do amar,
como quando se diz, afinal:
Aquiete, ligo quando chegar.
perdidos e desencontrados
deste universo de moribundos
me pergunto: cadê os recados?
Não os vi, mas deveria.
Ah! se deveria. Muito.
Além de qualquer letargia,
sem promessa ou intuito.
Deveria ser um sinal,
nada que pudesse subestimar.
Um sinal. Um oi. Banal.
Demonstração do amar,
como quando se diz, afinal:
Aquiete, ligo quando chegar.
A promessa
Devora-me, ó pecado lascivo
que perpetua minha maldade.
Devorar-te-ei toda dignidade,
em cada sonho permissivo.
Toma-me, se o puder, por bandido,
louco, vadio, réu ou truão.
Toma-me além da própria razão,
pois por nada serei impedido.
Se a promessa hei cumprido,
cumprirei também meu fado,
pois tanto mais for exigido,
mais esgotarei meu pecado
de viver bem e bem-vivido,
enquanto na terra cultivado.
que perpetua minha maldade.
Devorar-te-ei toda dignidade,
em cada sonho permissivo.
Toma-me, se o puder, por bandido,
louco, vadio, réu ou truão.
Toma-me além da própria razão,
pois por nada serei impedido.
Se a promessa hei cumprido,
cumprirei também meu fado,
pois tanto mais for exigido,
mais esgotarei meu pecado
de viver bem e bem-vivido,
enquanto na terra cultivado.
Quis do amor ardores
Quis do amor ardores,
e fostes tu pura ilusão.
Amar por quê, amor?
Se amor não é lição.
Revigorei viris plumas
de sentimentos vãos,
encontrando escumas
em lírios-mares sãos.
Eis-me em libélulas,
pueris tempestades,
castos sonhos [piedades!]
altivo em todas células,
e represado em vaidades...
pois navego já sem velas.
e fostes tu pura ilusão.
Amar por quê, amor?
Se amor não é lição.
Revigorei viris plumas
de sentimentos vãos,
encontrando escumas
em lírios-mares sãos.
Eis-me em libélulas,
pueris tempestades,
castos sonhos [piedades!]
altivo em todas células,
e represado em vaidades...
pois navego já sem velas.
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