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Decomposição

Quis, quando ainda perdido, encontrar
o que em mim não perdido estava,
mas desencontrado desmanchava,
perecendo o que havia de acabar.

Um tanto fracionado e desconcebido,
era tanto mais estéril e desmembrado
que nada desconcertava concentrado,
desaparecendo o que havia perdido.

Quanto mais revolvia, mais danificava,
mais concebia, mais notava purificação
mais perecia, mais perdia, mais fatiava,

e mais, e mais, e mais... decomposição.
Perdendo tudo, e tudo já se extraviava,
pois não há que se perder a perdição.

Mundo de Possibilidades

Sob a escuridão fulgente
que o imo dorido sustenta
[e a imagem pueril afugenta
a vida se esvai (docemente).

Tudo quanto pode é decadente,
e o mundo de possibilidades
é estéril. É dor. Fatalidades
que mais adoecem o doente.

Eis a enfadonha adversidade
que é viver em dois santuários,
[além da tormentosa realidade...

onde o gozo da possibilidade
é contido pelos mortuários...
dos sonhos antirefratários.

Existência

Num átimo tornei-me teu; Cativou-me o olhar, cegou-me os sentidos; Fez-me novo, entre a explosão. Senti-me renascido; vencido; perdido... Caído em teus enleios de amor. Eu quem sou? Eu quem? Sou o fogo que arde em tua voz, e a voz que ecoa em tua alma. Tua alma ardente, e a ardência que és tu. Sou tudo que tu és, e sem ti nada sou. Sem ti nada é, sem ti nada existe!