Dias estranhos, pesadelos infindos.
As ruas encobertas em sombras,
as noites chovendo dores perpétuas,
tudo perdido e mal-acabado.
Ontem morreram os que já morriam.
Ninguém nasceu de si mesmo,
e a esperança decaiu sob a voz
daqueles que amaldiçoaram os dias.
As pessoas que velaram a tristeza
esqueceram as peças dos calendários
e teimavam em renovar o irrenovável.
Ontem tudo morreu, e hoje a morte
festeja a dor de quem não vive
de quem não tem direito de viver.
Dançando no desfile
Ela dançava, sem vergonha,
num dia belo de tarde triste,
e com sorriso bom e a riste,
só dançava
sem som,
risonha.
Não era de se impressionar,
naquele dia belo e normal
que o som soasse frugal
e balançasse
a alma
a despertar.
Ela dançava, e dançava [apesar
só queria envolver-se poluta
no mar de imagem irresoluta
de dimensão cósmico-irregular
de tudo que não era dança
de tudo que era lembrança;
Soneto do Amor Infindo
Amo-te tanto, e tanto e tanto
Que sinto e muito sem dizer.
E digo, quedado em pranto,
Que amo, amor, com prazer.
Porque amar-te é guerra,
que travo cedo e tão logo
em abrolhos da minha terra,
na quimera que é teu jogo!
Amo-te tanto e intensamente,
Que chega a doer-me a mente;
de pensar além do benfazejo;
Pois é tudo quando amo presente,
e tudo quanto quero um desejo...
de amar-te hoje eternamente!
E digo, quedado em pranto,
Que amo, amor, com prazer.
Porque amar-te é guerra,
que travo cedo e tão logo
em abrolhos da minha terra,
na quimera que é teu jogo!
Amo-te tanto e intensamente,
Que chega a doer-me a mente;
de pensar além do benfazejo;
Pois é tudo quando amo presente,
e tudo quanto quero um desejo...
de amar-te hoje eternamente!
Fevereiro18
Anos atrás, num dia de verão,
despontava uma mensagem
de curta e tenra abordagem,
sobre a vida, amor e solidão.
Texto curto do dia-a-dia sensível,
de momentos e horas agradáveis,
prazeres infinitivos e saudáveis
além de desejos de vida aprazível.
Palavras de vida e eternidade,
que não sucumbem a prazo,
nem esmorecem a saudade,
palavras que fluem no acaso
e felicitam toda nova felicidade
de ser amado sem atraso!
despontava uma mensagem
de curta e tenra abordagem,
sobre a vida, amor e solidão.
Texto curto do dia-a-dia sensível,
de momentos e horas agradáveis,
prazeres infinitivos e saudáveis
além de desejos de vida aprazível.
Palavras de vida e eternidade,
que não sucumbem a prazo,
nem esmorecem a saudade,
palavras que fluem no acaso
e felicitam toda nova felicidade
de ser amado sem atraso!
Soneto para um herói
É integro, austero, feliz
seguro, vaidoso, prudente
amoroso, herói, sorridente
sério, professor e aprendiz.
É educado, leal, transigente
corajoso, elegante, solidário
otimista, hábil, visionário
cômico, gentil e eficiente.
É bom, generoso, paritário,
jovem, aventureiro, sonhador
forte, altruísta, gregário
É símbolo, ídolo, amor,
verdadeiro, sábio, hilário
e é meu pai, meu criador.
seguro, vaidoso, prudente
amoroso, herói, sorridente
sério, professor e aprendiz.
É educado, leal, transigente
corajoso, elegante, solidário
otimista, hábil, visionário
cômico, gentil e eficiente.
É bom, generoso, paritário,
jovem, aventureiro, sonhador
forte, altruísta, gregário
É símbolo, ídolo, amor,
verdadeiro, sábio, hilário
e é meu pai, meu criador.
Decomposição
Quis, quando ainda perdido,
encontrar
o que em mim não perdido estava,
mas desencontrado desmanchava,
perecendo o que havia de acabar.
Um tanto fracionado e desconcebido,
era tanto mais estéril e desmembrado
que nada desconcertava concentrado,
desaparecendo o que havia perdido.
Quanto mais revolvia, mais danificava,
mais concebia, mais notava purificação
mais perecia, mais perdia, mais fatiava,
e mais, e mais, e mais... decomposição.
Perdendo tudo, e tudo já se extraviava,
pois não há que se perder a perdição.
Mundo de Possibilidades
Sob a escuridão fulgente
que o imo dorido sustenta
[e a imagem pueril afugenta
a vida se esvai (docemente).
Tudo quanto pode é decadente,
e o mundo de possibilidades
é estéril. É dor. Fatalidades
que mais adoecem o doente.
Eis a enfadonha adversidade
que é viver em dois santuários,
[além da tormentosa realidade...
onde o gozo da possibilidade
é contido pelos mortuários...
dos sonhos antirefratários.
que o imo dorido sustenta
[e a imagem pueril afugenta
a vida se esvai (docemente).
Tudo quanto pode é decadente,
e o mundo de possibilidades
é estéril. É dor. Fatalidades
que mais adoecem o doente.
Eis a enfadonha adversidade
que é viver em dois santuários,
[além da tormentosa realidade...
onde o gozo da possibilidade
é contido pelos mortuários...
dos sonhos antirefratários.
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