O Buquê

Esse buquê que lhe ofereço
É um buquê de sentimentos,
Com pétalas de contentamentos,
Colhidas do mais alto apreço.

Nele há pétalas de paixão,
Amor, carinho e cumplicidade!
É um buquê de saudade
Das muitas alegrias que virão.

É, acima de tudo, buquê-gratidão.
Alma d’um bem-querer sem fim,
D’uns beijos de comunhão,

Que fazem de ti mais de mim,
E de cada pétala a concretização
De que nosso buquê é um jardim.

Dias estranhos

Dias estranhos, pesadelos infindos.
As ruas encobertas em sombras,
as noites chovendo dores perpétuas,
tudo perdido e mal-acabado.
Ontem morreram os que já morriam.
Ninguém nasceu de si mesmo,
e a esperança decaiu sob a voz
daqueles que amaldiçoaram os dias.
As pessoas que velaram a tristeza
esqueceram as peças dos calendários
e teimavam em renovar o irrenovável.
Ontem tudo morreu, e hoje a morte
festeja a dor de quem não vive
de quem não tem direito de viver.

Dançando no desfile

Ela dançava, sem vergonha,
num dia belo de tarde triste,
e com sorriso bom e a riste,
só dançava
                    sem som,
                                risonha.
Não era de se impressionar,
naquele dia belo e normal
que o som soasse frugal
e balançasse
                    a alma
                        a despertar.
Ela dançava, e dançava [apesar
    só queria envolver-se poluta
    no mar de imagem irresoluta
de dimensão cósmico-irregular
    de tudo que não era dança
    de tudo que era lembrança;


Soneto do Amor Infindo

Amo-te tanto, e tanto e tanto
Que sinto e muito sem dizer.
E digo, quedado em pranto,
Que amo, amor, com prazer.

Porque amar-te é guerra,
que travo cedo e tão logo
em abrolhos da minha terra,
na quimera que é teu jogo!

Amo-te tanto e intensamente,
Que chega a doer-me a mente;
de pensar além do benfazejo;

Pois é tudo quando amo presente,
e tudo quanto quero um desejo...
de amar-te hoje eternamente!

Fevereiro18

Anos atrás, num dia de verão,
despontava uma mensagem
de curta e tenra abordagem,
sobre a vida, amor e solidão.

Texto curto do dia-a-dia sensível,
de momentos e horas agradáveis,
prazeres infinitivos e saudáveis
além de desejos de vida aprazível.

Palavras de vida e eternidade,
que não sucumbem a prazo,
nem esmorecem a saudade,

palavras que fluem no acaso
e felicitam toda nova felicidade
de ser amado sem atraso!

Soneto para um herói

É integro, austero, feliz
seguro, vaidoso, prudente
amoroso, herói, sorridente
sério, professor e aprendiz.

É educado, leal, transigente
corajoso, elegante, solidário
otimista, hábil, visionário
cômico, gentil e eficiente.

É bom, generoso, paritário,
jovem, aventureiro, sonhador
forte, altruísta, gregário

É símbolo, ídolo, amor,
verdadeiro, sábio, hilário
e é meu pai, meu criador.

Decomposição

Quis, quando ainda perdido, encontrar
o que em mim não perdido estava,
mas desencontrado desmanchava,
perecendo o que havia de acabar.

Um tanto fracionado e desconcebido,
era tanto mais estéril e desmembrado
que nada desconcertava concentrado,
desaparecendo o que havia perdido.

Quanto mais revolvia, mais danificava,
mais concebia, mais notava purificação
mais perecia, mais perdia, mais fatiava,

e mais, e mais, e mais... decomposição.
Perdendo tudo, e tudo já se extraviava,
pois não há que se perder a perdição.