Flogose LXXV

Haverão, num futuro próximo, pessoas que conseguirão gerir melhor o mundo. Pessoas que consertarão os erros que hoje cometemos. Espero poder assistir a ascensão dos seres humanos a um estágio humano de vida. Sei que haverão, pois estas pessoas já existem! Só ainda não estão preparadas para melhor o mundo, ainda... Eu realmente espero fazer parte disso! Do mundo humano. Pois assim como os pássaros, que dia após dia, com sol, chuva ou neve, cantam seu canto de doçura existem pessoas que lutam. Conheço algumas dessas pessoas que mudarão o mundo um dia!

Flogose LXXIV

Acabei de me lembrar de um livro que li, ou talvez apenas tenha começado, chamado Desventuras em Série. Lembro-me perfeitamente de como começava:
Se vocês se interessam por histórias com final feliz, é melhor ler algum outro livro. Vou avisando, porque este é um livro que não tem de jeito nenhum um final feliz, como também não tem de jeito nenhum um começo feliz, e em que os acontecimentos felizes no miolo da história são pouquíssimos. LEMONY SNICKET
Adoro este início, talvez por parecer bem mais verdadeiro que os contos de fada propriamente ditos. E realmente o livro tem muito pouco de coisas felizes. A estória desenrolá-se sobre cenários dos mais nefastos e impetuosos para com os três jovens Baudelaire, contudo a gênialidade com que eles lidam com os problemas é que é uma lição grandiosa. É por isso que gosto mais deste conto do que de muitos outros em que os começos são felizes e o desenrolar da estória favorece sempre o protagonista. Este livro mostrar claramente por que a união e o amor fazem a diferença. Um dia, quem sabe, eu conte uma estória, um conto que não tem também um começo feliz...

Flogose LXXIII

Que tristeza é esta que aparece as vezes do nada? Que sentimento é este? Poderia até dizer que é fraqueza, mas não acredito nisso piamente. Sei que nesses dias me sinto assolado e de tal forma triste que não me sinto a vontade de fazer muita coisa. Ruim? Talvez! Já falei sobre esse vazio algumas vezes, contudo ele é sempre recorrente e é desconfortante não soltá-lo! É como uma prisão de si mesmo em seus próprios pensamentos. Sempre falta alguma coisa, ainda que não saibamos o que é! O espírito do vazio parece-me ter o dom de instalar-se facilmente nesses espaços e trazer-nos um tipo nada concreto de dor. Uma dor irracional, talvez. Entretanto é tristeza! Uma tristeza prolongada e silênciosa.

Flogose LXXII

Não parece-nos nada ou, quem sabe, nem um pouco saudável. Todavia quem tem essa companhia tem certeza de que, em algumas horas, é uma das melhores que se pode existir. Acede-se um cigarro (como os vários que acendo durante as noites) e a solidão não parece tão grande quanto seria sem ele. Sei que é um mau hábito, mas o que fazer? As noites quentes, frias ou solitárias são sempres as mesmas e é ele que me faz companhia a algum tempo. Quando há noites tristes e não há ninguém pra conversar, o cigarro ajuda a não se sentir tão sozinho, ainda que não recomende.

Flogose LXXI

Nossas necessidades são incríveis. A vunerabilidade das pessoas parece ser bem maior do que eu penso que seja. (Eu 1)- Hei, como vai? (Eu 2)- Vou bem! Sem outras palavras, a conversa terminaria nisso. Enquanto que a pessoa que pergunta também precisa ser, mas como é uma única não se sente confortável em falar para si mesmo coisa que supostamente sabe. As vezes só queremos ser ouvidos! É um gesto simples, embora signifique muito para quem fala, para quem chora, para quem sorri. Sentir-te reconfortado pelo afeto, pela disposição e interesse é algo impagável. Deveríamos ouvir mais, para isso, acredito, que temos duas orelha e não duas bocas.

Flogose LXX

Não é apenas estar ali que faz o momento. Não é a presença que faz a hora, mas todo o desejo que se esconde por traz. O desejo forte e ardente de querer compartilhar o momento e a hora! Gostaria, às vezes, de ouvir um "oi" apenas. Ou ouvi-la suspirar. Deitar-me junto a sua cama novamente e durmirmos, ambos, como anjo, sem medos, sem dores e sem lamentações. Só gostaria de sentir mais uma vez aquele doce e carinhoso gesto de ser afagado nos cabelos, mais uma vez. De poder olha-la de perto e dizer o quanto sinto sua falta. Ou apenas vê-la sentada naquele sofá vendo as novelas que tanto gostava. Chorar no seu colo, enquanto ela me falava palavras carinhosas. Comer um de seus suculentos almoços. Esses foram bons momentos. Momentos que estarão em minha memória para sempre, mas eu gostaria de ter aproveitado mais. Gostaria de poder ter dito que a amava mais vezes e que a vida era boa demais quando estavamos juntos. Que não havia coração maior que o dela. Que sempre foi e será linda! Que seu sorriso modificava meu dia e me dava serenidade. Que suas broncas me faziam ir em frente e ser uma pessoa melhor. Hoje digo, apenas, que sinto sua falta e cada dia que passa sua lembrança só aumenta, mas não estou triste. Estou feliz por que sei que um dia nos reencontraremos novamente e poderei novamente sentir todo o amor que um dia me deu.

Flogose LIX

Durmi tão docemente... E em sonho estive longe... Nos mais remotos lagos azuis do mundo, onde não havia terra só pensamentos! Não tardei a encontrar os sublimados recantos dos jardins suspensos da babilônia, onde pude sentir os libidinosos sentimentos exalados pela grama.... Meditei no Templo de Ártemis em Éfeso, sentindo meu corpo dispersar neutro, sem inferência do mundo, sem sentimentos, sem virtudes, sem obrigações, já quase sem corpo... No Mausoléu de Halicarnasso dediquei dias aos espíritos, ao meu próprio, e aos que já se encontravam n'outro plano ou n'outras parcelas do mundo.... Colosso de Rodes, óh Colosso, quão esplendoroso foi estar lá... Pude sentir-me mais perto dos Deuses, mais perto do liame entre alma e corpo, sentir-me vivo... Por fim, fui ao Farol de Alexandria, onde pude gritar tão alto que senti o vibrar dos pulmões... Gritar ao mundo, onde ninguém poderia ouvir-me... Onde tudo era eu, e eu fui tudo, por um momento....