Deveis rasgar as entranhas do terrorismo,
fazer brilhar as mordaças, as dores, os males,
abrir as covas da pobreza que assola os ares
de cujas escrituras tem a firma do imperialismo.
Viveis sob as tórridas tempestades do capital,
onde cada dia é morte, e cada morte é esquecimento,
e tudo é mercadoria, todo corpo, toda fé, todo alimento...
tudo até a alma que vaga enterrada no quintal.
A vida, porém, merece outro véu, outro horizonte.
Viver merece tempo, conforto, pão e ternura...
Viver merece igualdade na forma e na largura
para que todo alimento seja um forte e uma ponte
entre o bem-viver e viver bem na candura
do tempo que não é exploração, é ruptura.
FLOGOSE IDÍLICA
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
Estou lá
estou lá!
Lá onde tudo é meio e fim; onde nada é finito e caído;
estou lá!
Lá onde o tempo é tempestade, carrossel e cordel;
estou lá!
Onde ninguém é, ninguém está, ninguém somos!
estou lá!
Onde o ontem amanhece amanhã.
estou lá!
Onde a memória não (…)
Lá onde tudo é meio e fim; onde nada é finito e caído;
estou lá!
Lá onde o tempo é tempestade, carrossel e cordel;
estou lá!
Onde ninguém é, ninguém está, ninguém somos!
estou lá!
Onde o ontem amanhece amanhã.
estou lá!
Onde a memória não (…)
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
Antipoética
A poesia é meu laboratório,
embaralho palavras, letras,
textos, contextos, subtextos,
reflexos, sentimentos, portentos,
dores, amores, razões, reflexões...
Poesia é laboratório...
a ideia vira veia de dizeres
pulsando fora do pulso!
Poesia é laboratório
da não-razão, do não-estar,
do não-dar, do não-afirmar,
do não-ligar, do não-acalmar.
Da não-poesia.
Poesia é rompimento,
destruição,
implosão e explosão
temperando a vida
com cheiro de nada
e de tudo que as flores
do bem-querer nos dá.
embaralho palavras, letras,
textos, contextos, subtextos,
reflexos, sentimentos, portentos,
dores, amores, razões, reflexões...
Poesia é laboratório...
a ideia vira veia de dizeres
pulsando fora do pulso!
Poesia é laboratório
da não-razão, do não-estar,
do não-dar, do não-afirmar,
do não-ligar, do não-acalmar.
Da não-poesia.
Poesia é rompimento,
destruição,
implosão e explosão
temperando a vida
com cheiro de nada
e de tudo que as flores
do bem-querer nos dá.
domingo, 23 de novembro de 2025
Não posso parar!
Tratei da profundidade do núcleo,
das atividades dos mares,
da profundidade das coisas maiúsculas...
mas não paro e rejeito.
Meu peito,
esse pedaço de coisa
que bate e afunda em terremotos,
não se deixa preencher...
Devia viver,
absorver as montanhas que estão
pintadas na tela da janela
do banheiro...
Comer do céu azul
que arranha o espaço
e descola a realidade,
enquanto a saudade
preenche
o tempo que não tenho
de tudo que não paro.
das atividades dos mares,
da profundidade das coisas maiúsculas...
mas não paro e rejeito.
Meu peito,
esse pedaço de coisa
que bate e afunda em terremotos,
não se deixa preencher...
Devia viver,
absorver as montanhas que estão
pintadas na tela da janela
do banheiro...
Comer do céu azul
que arranha o espaço
e descola a realidade,
enquanto a saudade
preenche
o tempo que não tenho
de tudo que não paro.
quarta-feira, 11 de junho de 2025
Amor
Resgatei todos os invernos
do meu íntimo, todas as
condescendências, todas
as loucuras. Resgatei a
vida e a anti-vida, a
luxúria e a verdade
absolutíssima. Sonhos,
e torrentes de imaginação.
Rasguei todas as palavras,
abri seus órgãos e vísceras
olhei profundamente em cada
parte da língua, do tom,
da entonação... tudo isso
para encontrar, escrito
com sangue puro, o amor
que me rasga e te veste.
do meu íntimo, todas as
condescendências, todas
as loucuras. Resgatei a
vida e a anti-vida, a
luxúria e a verdade
absolutíssima. Sonhos,
e torrentes de imaginação.
Rasguei todas as palavras,
abri seus órgãos e vísceras
olhei profundamente em cada
parte da língua, do tom,
da entonação... tudo isso
para encontrar, escrito
com sangue puro, o amor
que me rasga e te veste.
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